quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Filhos do Aceldama



Certa vez, Gregório Duvivier - este mesmo que está envolvido em mais uma polêmica envolvendo o  seu canal Porta dos Fundos - escreveu um texto defendendo a absurda e mentirosa ideia de que o Senhor Jesus era comunista. Duvivier, conhecido não somente por suas posições políticas de esquerda, mas também pelas suas produções que vilipendiam a fé cristã, alegava que o Senhor Jesus, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, supostamente abraçava pautas relacionadas à esquerda política, como defender bandidos, prostitutas e terroristas como Carlos Marighella.

Mas há quem defenda Duvivier - e não são somente os seus "camaradas". São os chamados "cristãos progressistas". Quem são eles? São progressistas disfarçados de cristãos. São pessoas que relativizam a Palavra do Senhor, mas creem na inerrância de seus ideais progressistas. São extremamente críticos em relação às denominações e pastores, mas defendem com unhas e dentes o PT, PSOL e ditadores como Fidel Castro e Maduro. Dizem defender os pobres; não obstante, moram em condomínios de classe média alta e não "socializam" seus soldos com ninguém. Pregam que o Senhor Jesus não é o Filho de Deus, mas em seus corações e palavras veneram o bandido Lula, defendendo sua suposta inocência mesmo depois de sua condenação em três instâncias.

Assim como Duvivier, os "cristãos progressistas" abraçam a ideia de que o Evangelho também é progressista. Para estas serpentes, tudo o que não faz parte de sua nefasta pauta política deve ser descartado. Qualquer coisa que não se encaixe em sua visão de mundo deve ser rejeitada. Tudo o que é belo, bom, louvável, enfim, até mesmo tudo o que é santo deveria se moldar à sua abominável ideologia, que diz defender o amor, mas na prática tão-somente vive o ódio, o preconceito e a intolerância.

Não obstante, cometem a blasfêmia de dizer que o Senhor Jesus era comunista. Mas devo dizer que, se há algum personagem nas Escrituras que mais se assemelha a um comunista, este era Judas. Mas por quê? 

- Judas andou com o Senhor Jesus e os discípulos. No entanto, o final da história já conhecemos. Sua morte foi trágica. Cristãos progressistas estão em nosso meio, mas não são dos nossos. Visitam igrejas e eventualmente congregam, mas no fundo odeiam a Igreja do Nosso Senhor. São joio no meio do trigo, promovendo dissensões e enganos. Além disto, as próprias Escrituras dizem que Judas, ao contrário dos outros apóstolos, teve como destino a condenação eterna (João 17:12). Os cristãos progressistas, se não se arrependerem de seus pecados e de seu falso evangelho, terão o mesmo rumo de Judas Iscariotes: o inferno.

- O traidor Judas vendeu o Senhor Jesus às autoridades romanas por trinta moedas de prata, o mesmo preço de um escravo (Êxodo 21:32). O cristão progressista, assim como os esquerdistas, além de defenderem Estados opressores como Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, também acreditam que todas as atividades humanas devem passar pelo crivo estatal - inclusive a própria religião. Por isto tanto distorcem o Evangelho em nome de seus ideais. Dizem-se cristãos mas defendem o aborto, ideologia de gênero, casamento homossexual e guerra de classes, justamente porque querem que o Evangelho seja "escravizado" pelo poder do Estado, que é o senhor da vida destes embusteiros.

- Além de traidor, sabe-se que Judas era ladrão. Sob a desculpa de que queria ajudar os pobres, ele queria que o unguento que estava sendo usado por Maria para ungir os pés do Senhor Jesus fosse vendido. No entanto, o desejo do coração do "filho da perdição" era, mais uma vez, roubar o dinheiro que estava na bolsa, a qual se encontrava sob seus cuidados. Cristãos progressistas, assim como seus "cumpanhêros" da esquerda, são conhecidos por defenderem os pobres e oprimidos, através de um Estado provedor e de ações como cotas e o Bolsa-Família. Não obstante, além do fato de que políticos e partidos de esquerda estarem profundamente envolvidos em nebulosos esquemas de corrupção, há ainda quem os defenda. E os "cristãos progressistas" estão entre eles. Basta notar o hercúleo esforço que fazem para inocentar o ex-presidente Lula, ainda que a verdade se mostre contrária a eles.

A recente polêmica envolvendo o canal Porta dos Fundos serve ainda mais para clarear em que lado estão estas pessoas. Para nós, verdadeiros cristãos, existe um mundo que jaz no maligno, e que se manifesta em uma milícia que, a nível mundial, peleja contra os santos e as coisas do Senhor. Os cristãos progressistas, além de fazerem parte deste exército, se disfarçam sob soldados da luz. São perspicazes e audazes. Mentirosos e cínicos. Mas fiquemos tranquilos: no fundo, seu destino será o Aceldama.




quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Contra todo um Coliseu



Está cada vez mais evidente a fúria de toda a esfera progressista contra nós, cristãos. A revista Carta Capital publicou uma matéria titulada "Mulheres que envergonham as mulheres", na qual tece críticas a pessoas de destaque no cenário político nacional, entre elas a ministra Damares Alves - a qual, por conta de sua fé, tem sido alvo de ataques sistemáticos desde que assumiu o ministério .

O periódico abusou do seu direito à liberdade de expressão e fez chacotas contra mulheres que, ideologicamente, possuem posicionamentos divergentes. No entanto, o ataque contra Damares foi de tal maneira brutal, que sequer ouso mencionar as palavras utilizadas pela revista, que descarregou sua fúria contra a fé da ministra. Quem quiser pesquisar, pesquisa. Não ouso transcrever as palavras que foram escritas.

Recentemente soubemos do caso de um professor universitário que, utilizando-se de uma rede social, manifestou seu desejo de ver os cristãos bolivianos mortos, por causa da derrubada do presidente Evo Morales. No Chile, igrejas tem sofrido ataques de vândalos, na onda de "protestos" que o país andino tem sofrido há alguns dias. E, depois da decisão do STF que retirou Lula da cadeia, não são poucos os ataques verbais a pastores e evangélicos, perpetrados por seguidores do ex-presidente da República.

É necessário entendermos que a batalha no mundo espiritual se manifesta através dos fatos cotidianos, desde pensamentos até decisões políticas a nível mundial. A realidade não está isenta do que é invisível. Quem não está sob o senhorio do Senhor Jesus está sob o domínio do diabo, que é o pai da mentira e tem enganado as nações, levando povos a perseguirem os eleitos do Senhor.

Engana-se quem pensa que a perseguição contra nossos irmãos na fé acontece somente no Ocidente, em países governados por regimes islâmicos ou comunistas. A nível ocidental, onde o derramamento de sangue por parte do Estado é condenada e a democracia é considerada o melhor caminho, o melhor caminho encontrado pelo ódio não foi a violência da espada, mas o veneno da palavra.

Utilizando-se da premissa de que possuem direito constitucional de liberdade de expressão - e esquecendo-se que a própria Carta Magna repudia qualquer tipo de preconceito religioso -, jornalistas, artistas, políticos, professores acadêmicos, de nível fundamental e médio têm deixado claro que cristãos são seus inimigos, tentando-os intimidar através da pregação explícita do ódio e intolerância. A Igreja tem desempenhado importante papel espiritual, orando para que governantes caiam e ascendam. O Senhor ouve as orações de um povo que não deseja viver sob tiranias terrenas! 

A consequência de nossa fé autêntica em Cristo é a perseguição. Não é a promessa de trocarmos de carro quando quisermos, ou sermos pessoas bem-sucedidas profissionalmente, ou imunidade total a doenças e dissabores financeiros. O que acontece na vida de um cristão genuíno é calúnias e mentiras contra ele, amizades desfeitas, ataques físicos e espirituais. Não é ter a conta bancária aumentada, mas ser chamado de "fundamentalista" e "alienado". Não é ter seus sonhos terrenos realizados, mas estar preparado para, se possível, morrer por amor ao seu Senhor. Não é ter status em uma sociedade em putrefação, mas ser odiado por ela, por conta da enorme divergência espiritual.

Em Roma, cristãos eram devorados por leões no Coliseu, para deleite de espectadores cujas vidas refletiam o mais profundo abismo espiritual. Por causa da pregação do Evangelho, os apóstolos viveram e morreram pela espada. Em países como a antiga União Soviética, Cuba, China e Coreia do Norte, são brutalmente intimidados, perseguidos e mortos - mas não recuam. Assim foi, e assim será na vida daquele que verdadeiramente ama ao Senhor. Não me espanto com a feroz oposição à fé da ministra. Espantar-me-ia se a Igreja fizesse concessões com aqueles que a perseguem. Ou você desperta a fúria dos leões, ou você não é cristão.






segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Sinto-me frágil - o que fazer?



Há manhãs nas quais eu acordo me sentindo frágil. Vulnerável. É geralmente vago. Nenhuma ameaça específica. Sem uma fraqueza explícita. Apenas um senso sem forma de que alguma coisa vai dar errado e eu serei responsável. É comumente depois de um tanto de criticismo. Muitas expectativas que possuem prazos e que parecem muito grandes e muito numerosas.
Enquanto olho para os 50 anos passados de tais manhãs que ocorreram com periodicidade, eu estou maravilhado de como o Senhor Jesus preservou minha vida. E meu ministério. As tentações de fugir das pressões nunca obtiveram vitória – não ainda pelo menos. Isto é maravilhoso. Eu adoro ele por isso.
Como ele tem feito isso? Através de orações desesperadas e promessas particulares. Eu concordo com Spurgeon: Eu amo os “Eu serei” e “Eu irei” de Deus.
Em vez de me deixar afundar em uma paralisia de medo, ou correr para uma miragem de gramas mais verdes, ele despertou um clamor por ajuda e então respondeu com uma promessa concreta.
Aqui está um exemplo. Isto é recente. Eu acordei me sentindo emocionalmente frágil. Fraco. Vulnerável. Eu orei: “Senhor me ajude. Eu não estou nem ao menos certo de como orar.”
Uma hora depois eu estava lendo Zacarias, buscando a ajuda pela qual eu clamei. Ela veio. O profeta ouviu grandiosas notícias de um anjo sobre Jerusalém:
Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão, nela, dos homens e dos animais. E eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória. (Zacaria 2:4-5)
Haverá tal prosperidade e crescimento para o povo de Deus que Jerusalém não poderá mais ser murada. “A multidão, nela, dos homens e dos animais” será tão numerosa que Jerusalém será como muitas vilas espalhando-se sem muros pela terra.
Mas muros são necessários! Eles são a segurança contra hordas de bárbaros e exércitos inimigos. Vilas são frágeis, fracas, vulneráveis. Prosperidade é bom, mas e quanto a proteção?
Para tal questionamento Deus diz em Zacarias 2:5, “E eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo em redor.” Sim. É isso. Esta é a promessa. O “Eu irei” de Deus. Isto é o que eu preciso. E se isto é verdade para as vilas vulneráveis de Jerusalém, é verdade para mim, um filho de Deus. Deus será como uma “muralha de fogo em redor de mim.” Sim. Ele será. Ele tem sido. E ele será.
E fica melhor. Dentro desta muralha flamejante de proteção ele diz, “e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.” Deus nunca está contente em nos dar a proteção do seu fogo; ele nos dará o prazer de sua presença.
Isto foi doce para mim. Isto me carregou por dias. Eu levei isto comigo para o púlpito. Eu levei isto comigo para os encontros de família. Eu levei isto comigo para as reuniões de trabalho. Eu levei isto comigo para as ligações de telefone e emails.
Esta tem sido minha libertação toda vez desde quando eu marquei a minha Bíblia King James – tradicional tradução inglesa da Bíblia – nos meus 15 anos. Deus tem me resgatado com clamores por ajuda e promessas concretas. Desta vez ele disse: “E eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.”
Clame a ele. Então vasculhe a Bíblia pela sua promessa designada. Nós somos frágeis. Mas ele não.



segunda-feira, 20 de maio de 2019

Uma mentalidade tóxica



A cada dia que passa surge mais uma novidade. Quando não é alguém dizendo que inventou a roda, é mais alguma toupeira dizendo o quanto ela é nociva para a sociedade. Pois bem: nos últimos dias o termo "masculinidade tóxica" tem ressonado muito em meus ouvidos, e por isto procurei na internet para saber do que se trata. É uma expressão nova e carregada de teor crítico, e serve para designar comportamentos masculino, típicos e estereotipados, que são alvos de indignação da turma da lacração.

O que seriam estes comportamentos? Alguns exemplos: não demonstrar sentimentos, apreço por atividades de competição, descuido proposital na aparência, rudeza em lugar da empatia, etc. E qual a solução? A solução seria a adoção, por parte dos homens, de comportamentos mais "femininos", menos brutos e mais delicados. Livre dos brutamontes, grande parte dos problemas sociais - como a violência doméstica - desapareceriam e viveríamos felizes para sempre, assim pensam os críticos.

Mas este pessoal está certo? Existe esta tal masculinidade tóxica? Precisamos combate-la? Em primeiro lugar, é necessário compreendermos o seguinte: homens e mulheres existem. São iguais em direitos, mas diferentes em questões comportamentais, biológicas e emocionais. A própria questão hormonal já é fator relevante para que ambos os sexos se diferenciem entre si: a testosterona deixa o homem mais agressivo, com sede de domínio e com maior libido sexual - estes geralmente são fortemente atraídos sexualmente pelo olhar, enquanto que as mulheres pelo que ouvem e pela maneira que são tratadas.

Obviamente que nem todos os homens possuem características totalmente masculinas, e nem todas as mulheres possuem características totalmente femininas. Homens geralmente possuem mais aptidão para ciências exatas e comunicam-se menos, mas há muitos deles que falam pelos cotovelos. Há muitas mulheres engenheiras também. Enfim, estamos falando na beleza e na diversidade destes gêneros que, em suas diferenças marcantes, se atraem e se complementam.

Mas nem tudo são flores. A testosterona em altos níveis está relacionada a comportamentos mais agressivos e à infidelidade conjugal. Da mesma maneira, as oscilações na produção de estrogênio e elevação da progesterona leva a tão conhecida TPM (tensão pré-menstrual), responsável pelas tão temidas alterações de humor nas mulheres em ciclos mensais. Some-se a isto as diferenças e mazelas culturais, comportamentais, sociais e familiares, e temos aí enormes diferenças que naturalmente fazem parte da vida de milhões de casais mas que, se mal administradas, levam aos inúmeros casos de divórcios, agressões, violência doméstica e até mesmo a assassinatos.

Assim sendo, não creio que seja razoável e honesto combater a "masculinidade tóxica" como grande causadora dos conflitos entre os sexos. Decerto que há comportamentos tipicamente masculinos que são nocivos, mas há comportamentos femininos que também o são. O desejo de correr riscos, conquistar e competir provocou acidentes, mortes e desigualdades, mas também permitiu que homens protegessem suas famílias e países, desbravassem territórios não explorados e inventassem coisas que facilitam nossas atividades até hoje.

Muitas mulheres, por sua vez, se tornaram conhecidas por governarem nações (como Dilma e Margaret Thatcher), mas outras preferiram ser úteis no anonimato do lar. Muitas edificaram lares, e outras destruíram famílias. Uma coisa é certa: depois da queda de Adão, o conflito entre os homens foi inevitável, e nisto estão inclusos os conjugais e sexuais. Culpar o pecado como causador destes é honesto e verdadeiro. Tóxico mesmo é colocar tudo na conta da masculinidade.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Em defesa do goleiro Sidão



Vida de goleiro é assim mesmo, Sidão. Não é para qualquer um.

Aliás, a vida, de uma maneira geral, é isso aí mesmo. Ninguém se importa com ninguém. Ninguém se importa que, neste domingo de Dia das Mães, você queria estar ao lado da sua, ou que, no mínimo, ela estivesse vendo sua atuação no Pacaembu. Mas não. Ela já não está mais aqui entre nós. E eu sei que você sentiu isso ontem.

Assim como eu, você foi uma daquelas crianças que escolheram ir pro gol quando todo mundo queria jogar na linha. Éramos chamados de "louco" e de "viado", mas ninguém queria assumir a hombridade e o risco de proteger o arco da própria equipe, Sidão! Assim são as pessoas, parceiro: ninguém quer responsabilidades com nada. Não cuidam do arco, não cuidam de ninguém.

Estamos no Brasil, Sidão. Neste país nós nos revoltamos com um profissional sério como você, que ganha a vida de maneira honesta e que erra como qualquer outro de qualquer área. Mas levamos na brincadeira os nossos políticos que, além de não levarem seus ofícios a sério, brincam de brincar com a vida e o dinheiro de milhões de brasileiros que por eles são representados.

Força, Sidão! Levante a cabeça. Vida que segue. Errar é humano. Nosso país está neste esgoto moral não é por culpa sua. O seu passe errado de ontem não contribuiu para a divulgação de notícias mentirosas, destruição da família e da sociedade. Você sabe de quem estou falando. Basta lembrar quem teve a cara-de-pau de te entregar aquele "prêmio" ontem.

Todos nós temos dias ruins. Quantos partidaços, defesas difíceis e pênaltis defendidos? Mas não somos somente profissionais. Somos humanos, e nós sentimos a dor, tanto de falhar profissionalmente quanto de perder a mãe ou pai. Só que você, assim como eu, serve ao Rei dos Reis. E é Ele quem cura toda a dor e enxuga todas as lágrimas. Não ligue para provocações imbecis ou zombarias vindas desta sociedade perdida. Teu prêmio já está no céu.


segunda-feira, 4 de março de 2019

O que foi, isso é o que há de ser



O tempo passa, mas o coração continua inquieto. A mente, deveras preocupada com algo que ainda não aconteceu. A ansiedade vai se apoderando aos poucos do indivíduo. Este, por sua vez, já faz parte da enorme espiral de angústia que tomou conta da sociedade moderna. As ordens, ditadas por tiranos que se disfarçam de ajudadores, são obedecidas cegamente por uma multidão de ansiosos.

Estamos falando de uma das formas de escravidão pós-moderna: a busca desenfreada pela juventude. Nossa sociedade insiste a cada dia mais em ser jovem. O grande dilema da esquizofrenia contemporânea é buscar tudo aquilo que remete a temas como saúde, hobbies, esportes e entretenimento. Os modelos de sucesso são aquelas pessoas que investem tempo e dinheiro em plásticas, academia, viagens ao redor do mundo, roupas e visuais "descolados", etc.

Mas por que esta geração insiste em viver assim? Por que pessoas com meio século de vida querem aparentar ter a idade de seus próprios filhos? Talvez a resposta esteja em outra grande doença deste século: o hedonismo. Esta geração não quer saber de sacrificar-se, sentir dor, pensar mais no próximo e menos em si mesmo. O mais importante é a satisfação pessoal, aquilo que eu sinto.

É nesta onda que constantemente estamos sentindo saudades do passado. O velho saudosismo. Declaramos em alto e bom som que tempos bons eram os de antigamente, onde tudo parecia funcionar e as pessoas supostamente eram mais puras. O presente assusta, e com ele o medo do porvir. A ilusão do "pretérito perfeito" pode ser a falsa sensação de que devemos continuar, de maneira insistente, a fazer as mesmas coisas, repetir as mesmas fórmulas, encarar coisas novas sob a perspectiva de antigamente.

A ansiedade pós-moderna também nasce daí. Quando estamos inquietos e nos sentindo inúteis por não estar executando atividades do passado, esquecemo-nos das nossas tarefas do presente. Viver é nada mais do que isto aí: renovar-nos perante as mudanças, saber que a vida nos reservará gratas surpresas e papéis inesperados. Devemos estar sempre preparados, pois "a vida é a arte do encontro", como disse o saudoso Vinicius de Moraes.

Quando somos vencidos pela saudade do passado, é sinal de que o nosso coração já foi tomado pelo engano. Em Eclesiastes, Salomão chama de "vaidade" a eterna insatisfação humana diante de suas realizações, em uma vida que tem seus ciclos devidamente regulados pelo Criador. Nos três primeiros capítulos, o autor sabiamente nos alerta que tudo "tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3:1). 

Somos insaciáveis! Nunca estamos plenamente satisfeitos com nada. Mas se todo o nosso trabalho estiver devidamente edificado no Senhor, a angústia e a insegurança darão lugar à satisfação e a plenitude. Alegremo-nos primeiramente nEle, que faz tudo perfeito em seu tempo!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Um mundo de cabeça para baixo



Dois fatos de relevância política deram o que falar nestes dias.

Vamos ao primeiro: depois de quatro sessões favoráveis à equiparação da homofobia ao crime de racismo, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá, em breve, concluir o julgamento da criminalização de atos discriminatórios à população LGBT. Sabe-se que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, e a equiparação entre ambas tipificações penais significa dizer que a criminalização de "condutas homofóbicas" será mais severa do que outras condutas, como um assassinato ou um latrocínio.

Além do mais, existe um uso abusivo e elástico do termo "homofobia", dando margem a inúmeras interpretações, a depender do gosto do cliente. Tecnicamente falando, o termo significa "medo de homossexual", o que denota uma reação ou postura emocional de um sujeito ante pessoas do público LGBT, podendo esta reação ser baseada ou não em uma experiência negativa. No entanto, o significado do termo foi ampliado conforme os interesses da militância revolucionária, podendo referir-se ao assassinato de um gay até a piadas e opiniões que estejam de desacordo com a prática homossexual. Não há um consenso sobre o que é homofobia ou não. O que vale é a vontade de blindar ao máximo esta comunidade, torna-la intocável e incriticável.

Vejam bem: não estamos defendendo o preconceito contra este público, mas sim criticando a enorme lacuna que é deixada na frouxidão da definição do termo "homofobia". Da mesma maneira, cremos que também vale criticar o absurdo que é o julgamento proferido pelo STF, que pode colocar na cadeia, sem direito a fiança em um crime que não prescreve, um homem que simplesmente fez uma crítica à condição homossexual, o que é perfeitamente possível de se imaginar que pastores poderão ir em cana somente por recitar Marcos 10:6 ou Efésios 5:31. 

Vamos ao segundo fato. Na semana passada, o ditador Nicolás Maduro proibiu a entrada de caminhões com alimentos e remédios no território venezuelano, os quais estavam sendo destinados à população que sofre com fome severa e inflação astronômica há alguns anos. Em uma crise social e econômica causada pelo próprio governo, muitos venezuelanos já deixaram o país: estima-se que mais de dois milhões de pessoas, conforme informação da ONU. 

Independente de um suposto interesse no petróleo venezuelano por parte do governo dos Estados Unidos, o que se sabe é que a fome e o desespero são a causa da migração em massa. Quando não se tem comida na mesa e comprar um quilo de feijão parece tão difícil quanto dar entrada em um apartamento, o ser humano apela ao  seu primitivo instinto de sobrevivência e busca uma solução imediata para matar a sua fome. Vimos no noticiário a quantidade de venezuelanos que invadiram o território de Roraima em busca de oportunidades e melhores condições de vida. 

No entanto, mesmo com a gravíssima crise social do país vizinho, há os que defendam apaixonadamente o "amável" Nicolás Maduro, e ainda busquem no discurso virulento contra os EUA a razão para a fome dos venezuelanos. Nesta cegueira causada por uma ideologia que está em total dissonância com a realidade, os pequeno-ditadores disfarçados de humanistas não estão nem um pouco preocupados com os milhões que sofrem com a escassez, mas sim com a liturgia do culto que eles prestam a tiranos como Maduro. Dizem se preocupar com os pobres, mas quando estes se multiplicam devido à previsível falência dos regimes que adoram, calam-se covardemente e buscam bodes expiatórios para colocarem a  culpa. 

Mas ainda há algo pior do que isto: é constatar como funciona o mundo criado por este tipo de gente. É um mundo totalmente de cabeça para baixo, como um mapa-múndi propositadamente invertido e colocado no quarto de um adolescente revoltado, como sinal de rebeldia contra o nada. Maximizam aquilo que deveria ser considerado como o mínimo e fazem vista grossa às piores atrocidades contra seus semelhantes. Revoltam-se contra uma palavrinha dita contra uma cena gay em uma novela e pedem cadeia para quem condena a homossexualidade conforme suas convicções religiosas, mas nada dizem contra a população de um país inteiro que está encarcerada por um lunático ditador.

O mundo, da maneira como está, não é o ideal e precisa de mudanças. Mas virá-lo de cabeça para baixo já é demais.