segunda-feira, 20 de maio de 2019

Uma mentalidade tóxica



A cada dia que passa surge mais uma novidade. Quando não é alguém dizendo que inventou a roda, é mais alguma toupeira dizendo o quanto ela é nociva para a sociedade. Pois bem: nos últimos dias o termo "masculinidade tóxica" tem ressonado muito em meus ouvidos, e por isto procurei na internet para saber do que se trata. É uma expressão nova e carregada de teor crítico, e serve para designar comportamentos masculino, típicos e estereotipados, que são alvos de indignação da turma da lacração.

O que seriam estes comportamentos? Alguns exemplos: não demonstrar sentimentos, apreço por atividades de competição, descuido proposital na aparência, rudeza em lugar da empatia, etc. E qual a solução? A solução seria a adoção, por parte dos homens, de comportamentos mais "femininos", menos brutos e mais delicados. Livre dos brutamontes, grande parte dos problemas sociais - como a violência doméstica - desapareceriam e viveríamos felizes para sempre, assim pensam os críticos.

Mas este pessoal está certo? Existe esta tal masculinidade tóxica? Precisamos combate-la? Em primeiro lugar, é necessário compreendermos o seguinte: homens e mulheres existem. São iguais em direitos, mas diferentes em questões comportamentais, biológicas e emocionais. A própria questão hormonal já é fator relevante para que ambos os sexos se diferenciem entre si: a testosterona deixa o homem mais agressivo, com sede de domínio e com maior libido sexual - estes geralmente são fortemente atraídos sexualmente pelo olhar, enquanto que as mulheres pelo que ouvem e pela maneira que são tratadas.

Obviamente que nem todos os homens possuem características totalmente masculinas, e nem todas as mulheres possuem características totalmente femininas. Homens geralmente possuem mais aptidão para ciências exatas e comunicam-se menos, mas há muitos deles que falam pelos cotovelos. Há muitas mulheres engenheiras também. Enfim, estamos falando na beleza e na diversidade destes gêneros que, em suas diferenças marcantes, se atraem e se complementam.

Mas nem tudo são flores. A testosterona em altos níveis está relacionada a comportamentos mais agressivos e à infidelidade conjugal. Da mesma maneira, as oscilações na produção de estrogênio e elevação da progesterona leva a tão conhecida TPM (tensão pré-menstrual), responsável pelas tão temidas alterações de humor nas mulheres em ciclos mensais. Some-se a isto as diferenças e mazelas culturais, comportamentais, sociais e familiares, e temos aí enormes diferenças que naturalmente fazem parte da vida de milhões de casais mas que, se mal administradas, levam aos inúmeros casos de divórcios, agressões, violência doméstica e até mesmo a assassinatos.

Assim sendo, não creio que seja razoável e honesto combater a "masculinidade tóxica" como grande causadora dos conflitos entre os sexos. Decerto que há comportamentos tipicamente masculinos que são nocivos, mas há comportamentos femininos que também o são. O desejo de correr riscos, conquistar e competir provocou acidentes, mortes e desigualdades, mas também permitiu que homens protegessem suas famílias e países, desbravassem territórios não explorados e inventassem coisas que facilitam nossas atividades até hoje.

Muitas mulheres, por sua vez, se tornaram conhecidas por governarem nações (como Dilma e Margaret Thatcher), mas outras preferiram ser úteis no anonimato do lar. Muitas edificaram lares, e outras destruíram famílias. Uma coisa é certa: depois da queda de Adão, o conflito entre os homens foi inevitável, e nisto estão inclusos os conjugais e sexuais. Culpar o pecado como causador destes é honesto e verdadeiro. Tóxico mesmo é colocar tudo na conta da masculinidade.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Em defesa do goleiro Sidão



Vida de goleiro é assim mesmo, Sidão. Não é para qualquer um.

Aliás, a vida, de uma maneira geral, é isso aí mesmo. Ninguém se importa com ninguém. Ninguém se importa que, neste domingo de Dia das Mães, você queria estar ao lado da sua, ou que, no mínimo, ela estivesse vendo sua atuação no Pacaembu. Mas não. Ela já não está mais aqui entre nós. E eu sei que você sentiu isso ontem.

Assim como eu, você foi uma daquelas crianças que escolheram ir pro gol quando todo mundo queria jogar na linha. Éramos chamados de "louco" e de "viado", mas ninguém queria assumir a hombridade e o risco de proteger o arco da própria equipe, Sidão! Assim são as pessoas, parceiro: ninguém quer responsabilidades com nada. Não cuidam do arco, não cuidam de ninguém.

Estamos no Brasil, Sidão. Neste país nós nos revoltamos com um profissional sério como você, que ganha a vida de maneira honesta e que erra como qualquer outro de qualquer área. Mas levamos na brincadeira os nossos políticos que, além de não levarem seus ofícios a sério, brincam de brincar com a vida e o dinheiro de milhões de brasileiros que por eles são representados.

Força, Sidão! Levante a cabeça. Vida que segue. Errar é humano. Nosso país está neste esgoto moral não é por culpa sua. O seu passe errado de ontem não contribuiu para a divulgação de notícias mentirosas, destruição da família e da sociedade. Você sabe de quem estou falando. Basta lembrar quem teve a cara-de-pau de te entregar aquele "prêmio" ontem.

Todos nós temos dias ruins. Quantos partidaços, defesas difíceis e pênaltis defendidos? Mas não somos somente profissionais. Somos humanos, e nós sentimos a dor, tanto de falhar profissionalmente quanto de perder a mãe ou pai. Só que você, assim como eu, serve ao Rei dos Reis. E é Ele quem cura toda a dor e enxuga todas as lágrimas. Não ligue para provocações imbecis ou zombarias vindas desta sociedade perdida. Teu prêmio já está no céu.


segunda-feira, 4 de março de 2019

O que foi, isso é o que há de ser



O tempo passa, mas o coração continua inquieto. A mente, deveras preocupada com algo que ainda não aconteceu. A ansiedade vai se apoderando aos poucos do indivíduo. Este, por sua vez, já faz parte da enorme espiral de angústia que tomou conta da sociedade moderna. As ordens, ditadas por tiranos que se disfarçam de ajudadores, são obedecidas cegamente por uma multidão de ansiosos.

Estamos falando de uma das formas de escravidão pós-moderna: a busca desenfreada pela juventude. Nossa sociedade insiste a cada dia mais em ser jovem. O grande dilema da esquizofrenia contemporânea é buscar tudo aquilo que remete a temas como saúde, hobbies, esportes e entretenimento. Os modelos de sucesso são aquelas pessoas que investem tempo e dinheiro em plásticas, academia, viagens ao redor do mundo, roupas e visuais "descolados", etc.

Mas por que esta geração insiste em viver assim? Por que pessoas com meio século de vida querem aparentar ter a idade de seus próprios filhos? Talvez a resposta esteja em outra grande doença deste século: o hedonismo. Esta geração não quer saber de sacrificar-se, sentir dor, pensar mais no próximo e menos em si mesmo. O mais importante é a satisfação pessoal, aquilo que eu sinto.

É nesta onda que constantemente estamos sentindo saudades do passado. O velho saudosismo. Declaramos em alto e bom som que tempos bons eram os de antigamente, onde tudo parecia funcionar e as pessoas supostamente eram mais puras. O presente assusta, e com ele o medo do porvir. A ilusão do "pretérito perfeito" pode ser a falsa sensação de que devemos continuar, de maneira insistente, a fazer as mesmas coisas, repetir as mesmas fórmulas, encarar coisas novas sob a perspectiva de antigamente.

A ansiedade pós-moderna também nasce daí. Quando estamos inquietos e nos sentindo inúteis por não estar executando atividades do passado, esquecemo-nos das nossas tarefas do presente. Viver é nada mais do que isto aí: renovar-nos perante as mudanças, saber que a vida nos reservará gratas surpresas e papéis inesperados. Devemos estar sempre preparados, pois "a vida é a arte do encontro", como disse o saudoso Vinicius de Moraes.

Quando somos vencidos pela saudade do passado, é sinal de que o nosso coração já foi tomado pelo engano. Em Eclesiastes, Salomão chama de "vaidade" a eterna insatisfação humana diante de suas realizações, em uma vida que tem seus ciclos devidamente regulados pelo Criador. Nos três primeiros capítulos, o autor sabiamente nos alerta que tudo "tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3:1). 

Somos insaciáveis! Nunca estamos plenamente satisfeitos com nada. Mas se todo o nosso trabalho estiver devidamente edificado no Senhor, a angústia e a insegurança darão lugar à satisfação e a plenitude. Alegremo-nos primeiramente nEle, que faz tudo perfeito em seu tempo!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Um mundo de cabeça para baixo



Dois fatos de relevância política deram o que falar nestes dias.

Vamos ao primeiro: depois de quatro sessões favoráveis à equiparação da homofobia ao crime de racismo, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá, em breve, concluir o julgamento da criminalização de atos discriminatórios à população LGBT. Sabe-se que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, e a equiparação entre ambas tipificações penais significa dizer que a criminalização de "condutas homofóbicas" será mais severa do que outras condutas, como um assassinato ou um latrocínio.

Além do mais, existe um uso abusivo e elástico do termo "homofobia", dando margem a inúmeras interpretações, a depender do gosto do cliente. Tecnicamente falando, o termo significa "medo de homossexual", o que denota uma reação ou postura emocional de um sujeito ante pessoas do público LGBT, podendo esta reação ser baseada ou não em uma experiência negativa. No entanto, o significado do termo foi ampliado conforme os interesses da militância revolucionária, podendo referir-se ao assassinato de um gay até a piadas e opiniões que estejam de desacordo com a prática homossexual. Não há um consenso sobre o que é homofobia ou não. O que vale é a vontade de blindar ao máximo esta comunidade, torna-la intocável e incriticável.

Vejam bem: não estamos defendendo o preconceito contra este público, mas sim criticando a enorme lacuna que é deixada na frouxidão da definição do termo "homofobia". Da mesma maneira, cremos que também vale criticar o absurdo que é o julgamento proferido pelo STF, que pode colocar na cadeia, sem direito a fiança em um crime que não prescreve, um homem que simplesmente fez uma crítica à condição homossexual, o que é perfeitamente possível de se imaginar que pastores poderão ir em cana somente por recitar Marcos 10:6 ou Efésios 5:31. 

Vamos ao segundo fato. Na semana passada, o ditador Nicolás Maduro proibiu a entrada de caminhões com alimentos e remédios no território venezuelano, os quais estavam sendo destinados à população que sofre com fome severa e inflação astronômica há alguns anos. Em uma crise social e econômica causada pelo próprio governo, muitos venezuelanos já deixaram o país: estima-se que mais de dois milhões de pessoas, conforme informação da ONU. 

Independente de um suposto interesse no petróleo venezuelano por parte do governo dos Estados Unidos, o que se sabe é que a fome e o desespero são a causa da migração em massa. Quando não se tem comida na mesa e comprar um quilo de feijão parece tão difícil quanto dar entrada em um apartamento, o ser humano apela ao  seu primitivo instinto de sobrevivência e busca uma solução imediata para matar a sua fome. Vimos no noticiário a quantidade de venezuelanos que invadiram o território de Roraima em busca de oportunidades e melhores condições de vida. 

No entanto, mesmo com a gravíssima crise social do país vizinho, há os que defendam apaixonadamente o "amável" Nicolás Maduro, e ainda busquem no discurso virulento contra os EUA a razão para a fome dos venezuelanos. Nesta cegueira causada por uma ideologia que está em total dissonância com a realidade, os pequeno-ditadores disfarçados de humanistas não estão nem um pouco preocupados com os milhões que sofrem com a escassez, mas sim com a liturgia do culto que eles prestam a tiranos como Maduro. Dizem se preocupar com os pobres, mas quando estes se multiplicam devido à previsível falência dos regimes que adoram, calam-se covardemente e buscam bodes expiatórios para colocarem a  culpa. 

Mas ainda há algo pior do que isto: é constatar como funciona o mundo criado por este tipo de gente. É um mundo totalmente de cabeça para baixo, como um mapa-múndi propositadamente invertido e colocado no quarto de um adolescente revoltado, como sinal de rebeldia contra o nada. Maximizam aquilo que deveria ser considerado como o mínimo e fazem vista grossa às piores atrocidades contra seus semelhantes. Revoltam-se contra uma palavrinha dita contra uma cena gay em uma novela e pedem cadeia para quem condena a homossexualidade conforme suas convicções religiosas, mas nada dizem contra a população de um país inteiro que está encarcerada por um lunático ditador.

O mundo, da maneira como está, não é o ideal e precisa de mudanças. Mas virá-lo de cabeça para baixo já é demais.