terça-feira, 2 de outubro de 2018

Sujeitando-se às potestades



Novas eleições presidenciáveis se aproximam, e o país vive um momento de grande expectativa. As pesquisas mostram o candidato Jair Bolsonaro (PSL) na liderança, seguido pelo petista Fernando Haddad. Apesar de ter sofrido um atentado que quase lhe custou a vida, Bolsonaro continua firme na primeira posição, ainda que esteja sofrendo grande rejeição por parte de alguns grupos que o acusam de ser racista, machista, homofóbico e favorável à Ditadura Militar (1964-1985).

Mesmo sendo uma personalidade tão controversa, e que é extremamente contestada por inúmeros setores da sociedade brasileira, Bolsonaro continua recebendo enorme apoio de outros. E um deles é a igreja evangélica brasileira. Seja através de crentes anônimos que trabalham nos serviços mais simples, seja através de personalidades como os pastores Silas Malafaia e Edir Macedo, o ex-capitão do Exército está na preferência dos evangélicos por diversos motivos, muito mais do que seus opositores possam imaginar.

Mas por que a igreja evangélica está apoiando-o? O que este apoio maciço pode significar? Com um discurso duro e direto, algumas vezes radical e na linha tênue entre a firmeza e intolerância, Bolsonaro é o candidato daqueles que não somente desejam uma profunda mudança no sistema político brasileiro que está enormemente contaminado pela corrupção, mas que também querem extirpar o marxismo cultural da esfera pública. Suas pautas são liberais-conservadoras - mais conservadoras do que liberais -, o que gera a marcante identificação com o eleitorado cristão.

Ele é contra o aborto e o desarmamento, e a favor da pena de morte e da redução da maioridade penal. Seu discurso contra a criminalidade visa o encarceramento dos criminosos, contrariando aqueles que defendem maiores investimentos em pautas sociais, o que supostamente diminuiriam os índices de criminalidade. Suas ideias são acusadas de superficiais e "fascistas" e, por isto mesmo, os cristãos que o apoiam são duramente criticados, pois estas, segundo os críticos, vão de encontro àquilo que o Senhor Jesus pregou. Assim sendo, é pecado votar em Bolsonaro?

Em primeiro lugar, é necessário explicar algumas coisas. Por mais que possamos cometer os pecados mais graves aos nossos olhos humanos, se realmente nos arrependermos deles e os confessarmos ao nosso Deus, seremos perdoados. Através do sacrifício vicário de Seu Filho, fomos justificados e libertos da condenação eterna. Recebemos amor, misericórdia e perdão sem merecermos. E, da mesma maneira que somos amados e perdoados, devemos amar e perdoar aos nossos inimigos e malfeitores.

No entanto, estes atributos se referem ao papel do cristão em relação aos seus semelhantes, e não do Estado. Não é dever deste, por exemplo, baseando-se na falsa justificativa do perdão divino, deixar de punir um homicida . Ou deixar de multar alguém que cometeu grave infração de trânsito, alegando que está agindo por misericórdia. Eu posso perdoar alguém enquanto servo do Senhor, mas não posso deixar de cumprir a lei enquanto servidor público, por exemplo. É uma distinção das coisas dEle e das de César.

Um claro exemplo encontra-se em Lucas 23:39-43. No momento da crucificação, havia dois ladrões ao lado do Senhor Jesus, prestes a serem condenados também. Um deles se arrepende de seus pecados, e recebe perdão e promessa de vida eterna. Ele é liberto do inferno, mas não da condenação estatal. É justificado pelos seus pecados, mas crucificado pelos seus crimes.

Em Romanos 13:1-7, Paulo fala sobre o papel do Estado em nossas vidas. É dever do cristão submeter-se às autoridades, pois elas foram constituídas por Deus para a organização social. Sem elas, a vida em sociedade seria impossível: seria o caos extremo. Nos versículos 3 e 4, fica claro que o Estado tem legitimidade para punir os malfeitores e cobrar impostos. Caso alguém não queira sentir o peso da espada estatal sobre ela, é só não fazer o mal, e não clamar por misericórdia por parte dos magistrados.

Infelizmente temos vivido em uma sociedade onde as pessoas não possuem mais limites morais. É a era da permissividade, onde prega-se que tudo deveria ser permitido. Chegamos ao ponto em que algumas pessoas veneram bandidos e pregam o ódio à polícia! Uma verdadeira inversão de valores. Mesmo com o clamor delas por mais libertinagem e desobediência às normas sociais, as Escrituras deixam claro que o homem deve sujeitar-se às autoridades, sob pena de ser castigado.

Não está em jogo aqui se devemos votar em Jair Bolsonaro ou não. O cristão é justificado pela fé, e não por sua orientação política, ao mesmo tempo em que é livre para votar em qualquer candidato, desde que este não tenha propostas de governo explicitamente anticristãs. Mas que fique bem claro que não é dever do governo passar a mão na cabeça de bandido. 






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