terça-feira, 17 de abril de 2018

As pequenas bestas

foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula foi preso, e o Brasil parou. O ex-presidente da República, que governou o país durante oito anos (dois mandatos), foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Para a Justiça, uma sentença imparcial e justa, em um processo democrático e no qual foi respeitado o direito à defesa. Para os militantes, uma perseguição orquestrada por Sérgio Moro, mídia, oposição, etc.

O fato, que poderia significar o final da trajetória política e pessoal do político petista, significou, na verdade, uma enorme reviravolta. A prisão não é a derrota do Lula, mas o seu martírio entre seus seguidores. Uma espécie de canonização. Ele não é mais um mortal que lutou pelos excluídos e por justiça social, representando a voz do Nordeste, região onde nasceu. Agora ele é, segundo suas próprias palavras, uma ideia, "a encarnação de um pedacinho de célula" de cada militante, ou melhor, de cada devoto
Uma caravana de Lula ganha ares de romaria. Pessoas se deslocam de inúmeros estados do país para ouvir suas palavras. Creem que ele, miraculosamente, irá solucionar o velho problema brasileiro chamado fome, que ainda não acabou. Pessoas tocam sua pele, sua barba, suas vestes, como se dele saísse algum poder, alguma cura, algo mágico e divino capaz de aliviar a dor de um povo sofrido e desprovido. 

As opiniões sobre ele já não se resumem à imagem que o povo e os petistas possuem em seus discursos e imaginários. Em suas falas, Lula delira. Parece estar possuído por algum sério transtorno de personalidade. Um megalomaníaco. Mas para aqueles, ele é santo, infalível, incapaz de ter cometido algum crime relacionado à corrupção, algo que ele sempre combateu nos seus inflamados discursos políticos. Eis aqui uma nova religião: a religião do Lula.

Quem iria imaginar que uma ideologia política ateísta, originada da conhecida declaração "A religião é o ópio do povo", tem direcionado seus esforços no sentido de adorar o próprio homem? Na verdade, os regimes de esquerda, por mais belos que seus ideais de democracia e igualdade pareçam ser, têm como principal objetivo a substituição das religiões - principalmente o cristianismo - pela idolatria a líderes políticos paternalistas. É por isto que a simples admiração por Lula ganhou ares de seita religiosa, pois o objetivo é coloca-lo como aquele que é capaz de suprir as necessidades do brasileiro. Isto é muito sério e demoníaco.

Tudo isto está relacionado ao governo da besta e do anticristo, que não está circunscrito somente à esfera tupiniquim. Governantes têm se levantado contra os santos desde a fundação da Igreja, mas agora a estratégia maligna é diferente: seduzir os incautos para que eles neguem ao Senhor e adorem o Estado, que se arroga como seu provedor e amigo fiel. Muitos já abandonaram a fé e, não mais crendo nas promessas do Senhor, correram atrás da ilusão da utopia terrena. 

Os mais pobres, no desespero de saciar a fome e pagar suas contas, se tornam escravos, ainda que inconscientemente, destas demagogos, ou melhor, destas "pequenas bestas". O termo está entre parênteses porque demagogos como Lula são agentes a serviço desta nova era, um Nero do século XXI, mas que não deve ser considerado apenas como um político ensandecido. É um sacerdote do diabo, cumprindo sua vontade para enganar multidões.

As "pequenas bestas" formam um corpo. É a atuação em conjunto daquilo que é imperfeito, que quer imitar, a todo custo, as coisas divinas. É uma força coordenada pelo maligno e igualmente distribuída pelos cantos do planeta. Somente triunfarão aqueles que resistirem a esta grande sedução a nível mundial. O cristão verdadeiro sabe que seu provedor é o Senhor e, por mais que possa passar por privações de ordem material e financeira, sua esperança não está nesta esfera terrena e decaída. Quem resolver abandona-lo para desfrutar da falsa segurança prometida pela besta terá uma enorme surpresa no postmortem.


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