sábado, 7 de outubro de 2017

Combatendo injustiças com... injustiça




Na edição desta semana (5 de outubro), a renomada revista Veja publicou um artigo chamado "Essa gente incômoda", no qual o colunista J. R. Guzzo fala da realidade dos evangélicos em nosso país. O texto deu o que falar: imediatamente, pastores renomados, artistas e deputados cristãos se levantaram contra o colunista, acusando-o de preconceito por utilizar palavras como "retrógados", "repressores" e "fascistas" para descrever o público evangélico brasileiro.

Soube da polêmica pela internet, e depois fui ler o texto. O que vi? Ao contrário da revolta daqueles que se disseram ofendidos pelo artigo, Guzzo defende os cristãos. O que ele retrata, na verdade e de maneira irônica, é como a elite intelectual e financeira do Brasil, a intelligentsia, os defensores do marxismo cultural, agem hipocritamente quando, mesmo defendendo a pluralidade e a tolerância, destilam veneno contra os servos do Senhor Jesus. Nas palavras do mesmo: "Nada é tão fácil de perceber quanto um preconceito que se pretende bem disfarçado. Os meios de comunicação, por exemplo, raramente conseguem escrever ou dizer a palavra "evangélico" sem colocar por perto alguma coisa que signifique "ameaça", "medo" ou "perigo"."

Se o jornalista da Veja se posicionou a favor daqueles que estão sendo perseguidos - no caso, nós, evangélicos -, por que ele foi acusado injustamente daquilo que ele não se propôs a dizer? Tudo bem que em dois parágrafos ele critica, acertadamente, os absurdos que são cometidos nas igrejas, mas de maneira geral o que ele narra é como a "religião incômoda" é uma "pedra no sapato" daqueles que se julgam os mais aptos para discussões políticas, artísticas e intelectuais, distanciando-se da realidade daqueles que são maioria no país.

Nós, cristãos, somos perseguidos e retratados de maneira preconceituosa por toda a sociedade: mídia, classes artística e intelectual, das classes mais baixas até a "nobreza", passando pelos setores políticos e econômicos. Somos vistos como fanáticos, atrasados, retrógrados em um mundo em constante movimento e que caminha a passos largos para não sabem exatamente aonde. Dizem que damos dízimo cegamente a pastores inescrupulosos. Preocupamo-nos com a moralidade sexual e os valores familiares em um mundo de sexualidade hedonista e empenhado em desconstruir referências milenares. Acreditamos em Deus em uma sociedade cada vez mais materialista. Somos, enfim, como diz uma música da banda Fruto Sagrado, a "contramão do sistema".

No entanto, as injustiças praticadas contra a gente não nos dá o direito de agirmos da mesma forma. O Senhor nos deu a fé, mas também nos capacitou com faculdades racionais, discernimento. Ler e interpretar corretamente um texto não é privilégio somente de acadêmicos ateístas. De nosso meio já saíram grandes mentes intelectuais, mas insistimos em agir como analfabetos manipulados e emocionados. Ser perseguido é uma coisa; posar de vítima é outra. 

A iniquidade e inimizade contra Deus, fatores tão característicos deste século, faz com que setores da sociedade se voltem contra nós. No entanto, há pessoas que, mesmo que não proclamem a nossa fé, são capazes de reconhecer que existe uma perseguição velada contra pessoas que, no mínimo, defendem valores morais relevantes em uma sociedade autodestrutiva. Ora, nesta mesma semana, o colunista Rodrigo Constantino, conhecido por seu posicionamento liberal-conservador e ferrenho crítico do marxismo cultural, escreveu um texto para o jornal Gazeta do Povo, cujo conteúdo se assemelha ao do escrito por J. R. Guzzo. A diferença foi a linguagem: Constantino, que é ateu, é mais direto e ácido. Mas ambos concordam inegavelmente com o fato de que os evangélicos são, hoje, o grande "foco de resistência" contra os setores progressistas da sociedade, que pregam democracia e liberdade mas sonham em um projeto totalitarista para o Brasil.

Somos diferentes. Somos sal da terra e luz do mundo. Grandes heróis da fé foram perseguidos e mortos para que o nome do Senhor Jesus fosse proclamado. Mas a diferença é que o foco de sua pregação estava na salvação em Cristo Jesus, e não no vitimismo, que é uma atitude comum oriunda daqueles que nos perseguem. Devemo ser cristãos sim, em todo o tempo. Burros e injustos, jamais.

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