quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Por uma apologética fora dos templos






Na minha humilde opinião, um dos grandes equívocos de muitos dos meus irmãos em Cristo é sustentar a crença de que a fé é algo reservado somente a uma esfera "mística", "sobrenatural", e que a vida do cristão deve resumir-se apenas a orar, ler as Escrituras, jejuar e participar de inúmeras atividades eclesiásticas.
É um tremendo erro. O cristão se enche de Deus através de uma vida devocional disciplinada e tem a obrigação de viver uma vida comunitária com seus irmãos, estando vigilante contra as astúcias dos "desigrejados". No entanto, a fé que professamos deve motivar-nos para que sejamos sal e luz no contexto desta sociedade corrompida - ainda que isto nos traga perseguição.
Nossa obediência ao Senhor não deve ser refletida somente nas paredes do templo ou do quarto enquanto oramos ou lemos a Bíblia. Outrossim, ela tem que ser manifestada em todas as áreas da vida humana. Charles Spurgeon, notória figura do pensamento calvinista, disse que para "um homem que vive para Deus nada é secular, tudo é sagrado."
Por que digo isto? Porque o Senhor nos deu uma terra para cultivarmos (Gênesis 2:15), mas esta terra não se resume somente a atividades agrícolas, se for aplicada uma leitura mais literal da passagem. Resume-se também às nossas posturas em relação à família, trabalho, artes, política, etc.
Por que são poucos os cristãos que se arriscam a defender bravamente a família conforme os santos preceitos do Senhor? Por que fugimos da vida acadêmica e, quando ingressamos, ou somos tragados pela sedução das inúmeras letras ou acovardamo-nos neste ambiente, permitindo que a hegemonia dos pensamentos ateísta e marxista se consolide a cada dia mais? Por que consideramos o esporte como coisa do diabo e de desocupado, deixando de pregar o Evangelho e fazer discípulos neste meio? Por que achamos que o papel político é dos outros, enquanto que, além de mergulharmos na mais profunda ignorância nesta área, assistimos passivamente a homens de índole questionável dominarem este cenário?
Achamos que ser sal e luz é criar uma cultura "gospel" de qualidade muito questionável, fechar-nos em nossos guetos e criarmos jargões que somente nós mesmos entendemos - e olhe lá! Enquanto isto, a impiedade e corrupção vão gradativamente contaminando todas estas áreas da vida humana, enquanto que as Escrituras dizem que "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." (1 Coríntios 10:31)
Não consigo entender o significado da fé para estas pessoas. Não consigo entender como a Igreja gasta a sola de seu tênis caminhando dentro do próprio templo. Enquanto isto, há pessoas indo para o inferno, mas nos recusamos a cumprir o "ide" e o substituímos pelo "vinde". No fundo, somos covardes que creem que estes espaços foram criados por satanás, e que não devemos ocupá-los. Se eles estão ocupados, é porque os filhos das trevas chegaram primeiro.
Nossa firmeza em combater a iniquidade e defender uma vida cristã não deve restringir-se somente à teoria ou debates reformados. Defendo uma apologética que saia das paredes dos templos, que vá às ruas e aonde o povo está. É um direito nosso saquear os territórios, fazer barulho, anunciar as Boas Novas. Vou mais além: esta é a nossa missão.

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