sábado, 6 de maio de 2017

É preciso saber viver




Maio chegou. Já estamos na metade do outono, no interstício que separa o verão do inverno. Duas estações diferentes, antagônicas. Só que o sol, eterno aliado do verão, que gentilmente havia prorrogado os seus dias depois do fim daquele, resolveu ir embora. Parece que não volta mais por enquanto. E, com sua saída, veio a chuva e o que a gente considera como "frio": ventos tímidos e úmidos, um tempo melancólico que nos dá preguiça e nos obrigou a tirarmos os nossos casacos e jaquetas, que estavam há meses empoeirados em nossos guarda-roupas. 

Daqui para frente será "pior". A alegria e vitalidade dos dias ensolarados deram lugar ao prelúdio do que será o inverno. Parece que ficamos mais introspectivos, sensíveis. Dá mais trabalho para sair da cama. Deseja-se dormir mais, ficar mais em casa para assistir filmes, namorar, comer café com biscoito, o que quer que seja, desde que não gaste energia. Afinal de contas, o sol que nos desperta cedo e nos dá forças para ir à academia já não está mais. Quem será seu substituto? Teremos, agora, que tirar forças de nós mesmos.

Além disto, há a crise econômica. O trabalhador está sentindo no bolso os desastrosos efeitos da má administração pública e da corrupção desenfreada. Com menos dinheiro, somos obrigados a poupar, gastar menos, cortar supérfluos - aliás, muitas coisas que achávamos indispensáveis agora se tornaram supérfluas. Reinventamos o cotidiano, damos valor às coisas que não precisam ser pagas, nos contentamos com menos, descobrimos que não precisamos de dinheiro e comprar coisas novas para sermos felizes. É bom para a alma e parece simples assim. Mas não é

São épocas distintas do que idealizamos como a vida perfeita na Terra. Mas todos nós passamos por isto - e devemos. O homem necessita readaptar-se, adequar-se a situações contrárias para sobreviver. Se queremos ser resilientes, precisamos viver momentos totalmente adversas às estruturas às quais estamos acostumados. E é daí que encontramos forças que acreditávamos não existir. Damos valor a coisas e momentos que achávamos que não valiam nada. E a escassez gera em nós virtudes, oriundas do jejum de abundância de energia e do material.

No livro de Eclesiastes, encontramos uma lindíssima poesia que diz que há tempo para tudo. Em seus versículos (3:1-8), verbos de ideias totalmente antagônicas expressam um maniqueísmo inevitável a todos os seres viventes. Não há como fugir desta realidade. Se hoje há crise financeira, já houve tempos de abundância, nos quais soubemos viver moderadamente ou desperdiçamos nosso dinheiro - e, por isto, muitos estão sofrendo hoje. O frio chegou a muitos estados do país, que há pouco tempo atrás também vivenciaram o calor. 

Nossa esperança está na eterna morada celestial, na qual não haverá tristeza nem choro (Apocalipse 21:3-4). Enquanto estivermos aqui, nesta carcaça mortal e corruptível, devemos ser fortes e cientes de que, em qualquer situação adversa, Ele estará conosco. Sempre.


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