terça-feira, 4 de abril de 2017

Sobre a raiz de todos os males




"Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura." - Isaías 55:2
Disciplinar o bolso significa, antes de mais nada, disciplinar o próprio espírito. Poucas coisas têm sido fator de conflitos e mortes como o dinheiro. Quando se tem muito, pode-se esbanjar desnecessariamente, atrair interesseiros e esquecer os menos abastados. Quando não se tem, é motivo de dor de cabeça e constante preocupação; afinal de contas, há contas a serem pagas.
Mas os tempos ruins vêm para todos, para os ricos e para os pobres - talvez mais para estes. São nos momentos de crise financeira em que nos vemos obrigados a repensar o orçamento doméstico, e é aí que a única solução racional é economizar. Gastar menos do que se ganha, cortando algumas despesas.
No começo, estes cortes causam algum desconforto e dói na nossa carne. Afinal de contas, não é nada agradável ter que deixar de assistir a programação da TV por assinatura, ou sacrificar o jantar do fim de semana. Ou, então, abandonar o conforto do automóvel para ir ao trabalho, submetendo-se ao transporte público. Estava pensando em renovar o estoque de calças jeans ou roupas de frio? Deixa pra próxima. Quem sabe depois da crise...
No entanto, a dor inicial da renúncia só pode nos levar a um lugar sadio: a reflexão de que, no fundo, não necessitávamos destes mimos para sermos felizes. Descobrimos que o consumismo é uma força escravagista, que tem o poder de enganar-nos e de levar-nos a crer que o segredo da felicidade está nas coisas mais caras. Ledo engano. Um novo olhar nos leva não somente a uma austeridade que pode ser momentânea, mas também à certeza de que o ser humano possui um grande vazio dentro de si, e que nem todo o dinheiro do mundo pode preenche-lo. Ele sempre quer mais e mais.
Conforme a passagem do livro de Isaías, devemos crer que a utilidade do dinheiro é adquirir o pão, ou seja, o suprimento de nossas necessidades físicas. Obviamente que este conceito não está relacionado somente a tomar café, almoçar, lanchar e jantar. Isto inclui outras demandas, como saúde, transporte, cultura e lazer. Como diz a música Comida, dos Titãs: "A gente não quer só comida/ A gente quer comida, diversão e arte/ A gente não quer só comida/ A gente quer saída para qualquer parte". Não podemos ir também ao extremo de crermos que somos iguais ou até mesmo piores do que os animais, pois estes usufruem não somente de alimentos, mas também da liberdade.
O que não devemos, conforme as Sagradas Escrituras, é colocarmos as expectativas do nosso espírito e da alma na grana, pois o problema, em inúmeras vezes, pode não estar na sua falta, mas na insatisfação humana, que é derivada do pecado. Somente a restauração do seu relacionamento com Deus pode também leva-lo a uma relação sadia com o dinheiro. E aí ele vai descobrindo que o sentido de sua vida não está mais nas coisas terrenas, "onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam" (Mateus 6:19).

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