sábado, 9 de dezembro de 2017

Como poderia?



Como poderia eu, homem imperfeito, questionar o Deus perfeito que criou perfeitamente todas as coisas?

Como poderia eu, homem infiel em todos os meus relacionamentos, questionar o Deus que é fiel?

Como poderia eu, homem de dobre ânimo e inconstante, questionar o Deus trabalhador e que nos ensina a sermos firmes, constantes e abundantes?

Como poderia eu, homem egoísta e insensível à dor do próximo, culpá-Lo por todas as mazelas sociais e espirituais existentes em nosso planeta?

Como poderia eu, homem mentiroso e de palavras indignas, questionar o Deus verdadeiro?

Como poderia eu, homem que se curva a modismos e vende sua honra a seduções momentâneas, questionar a Palavra dAquele que criou uma ordem perfeita para nós e a natureza?

Como poderia eu, homem mortal e suscetível a enfermidades, dizer que o Filho de Deus não venceu a morte? Como poderia?

Como poderia eu, homem que não sabe amar, dizer que Ele não nos ama?

Como poderia eu dizer que Ele não existe, se muitas vezes eu não "existo" onde eu deveria "existir"?

Como poderia?

O mundo não está do jeito que está por causa dEle. Está assim por causa de pessoas como eu.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

As aparências enganam!



Durante muitos anos, muitas congregações fecharam suas portas para pessoas ligadas a movimentos alternativos, de contracultura e das chamadas tribos urbanas (skatistas, regueiros, punks, rappers, etc.). Impiedosamente a Igreja seguia os passos da sociedade vigente e ditava comportamentos e modas, principalmente no que diz respeito ao vestuário, usos e costumes. Para a salvação do indivíduo, a graça do Evangelho e o sacrifício vicário do Senhor Jesus já não eram mais suficientes. Era necessário algo mais: obediência a leis severas e a abdicação de qualquer cultura que não fosse a vigente. Dreadlocks, skates, rock n' roll dentro da igreja? Não. Santidade era mesmo trajar terno e gravata. 

Anos depois, estamos vivenciando os piores episódios políticos de nossa história. São bilhões e bilhões de reais surrupiados impiedosamente por uma quadrilha que se apossou de todo o território nacional. A cada dia aparecem notícias de corrupção no noticiário. É uma sangria que parece não ter fim. Este dinheiro, que deveria ser investido maciçamente em prioridades públicas como saúde, educação e segurança - as quais se encontram sucateadas há um bom tempo -, foram desviados dos cofres públicos, e por causa disto o nosso povo sofre ainda mais, perdendo direitos que lhes eram garantidos.

Curiosamente, estes mesmos bandidos que cometeram grave lesão ao erário nacional se vestem impecavelmente - e até ganham para isto. É o tal do Auxílio-Paletó. Pela lógica, nossos políticos deveriam ser os mais honestos e santos. Mas não. Parece que, neste caso, a áurea que resplandece em seus trajes é diretamente proporcional à sua vigarice. Toda a práxis destes homens contraria o frágil castelo de areia construído por pessoas que amam julgar pela aparência.

Infelizmente muitas pessoas perderam a oportunidade de ouvir o Evangelho, de experimentar a graça do Senhor e a salvação que é obtida pela - e não pelas obras - simplesmente porque foram rejeitadas por uma igreja por causa de um aspecto exterior. Suponho que pessoas se revoltaram contra Deus por conta disto - ou até mesmo que morreram sem serem salvas. Temos que admitir que muito do preconceito que a sociedade nutre contra nós, cristãos, foi gerado por conta de atitudes bizarras que muitos de nossos irmãos de fé cometeram - e ainda cometem -, de maneira injusta, contra outras pessoas. Se somos conhecidos como intolerantes e preconceituosos, temos que ser honestos e admitir que, pelo menos em algum período da História, a Igreja agiu com intolerância e preconceito com pessoas de diversos povos e culturas.

O que os fariseus e hipócritas pregarão agora? Está mais do que provado que a santificação somente é possível mediante um relacionamento com o Senhor, e não conforme a adoção de cultura a ou b. O que farão agora? Tatuagens, brincos, piercings e outros tipos de adereços eram coisa de drogado e marginal. Proibirão o terno e gravata sob o argumento de que é coisa de político ladrão?




terça-feira, 7 de novembro de 2017

Um enigma de outro mundo



Imagine a seguinte cena: vários homens confinados em uma estação científica na Antártida, em pleno inverno, sob dezenas de graus abaixo de zero. Com certeza não deve ser nada alegre e confortável. Agora imagine estes homens, em meio a este clima nada agradável, tendo que enfrentar uma grave ameaça alienígena, a qual é capaz de disfarçar-se de humano e contaminar o restante da equipe. Pois bem: este é o enredo de O Enigma de Outro Mundo (The Thing), clássico filme de terror e ficção científica lançado no ano de 1982. 

Na produção dirigida por John Carpenter, a base norteamericana é invadida por um cão que estava sendo perseguido por um norueguês, e depois descobrem que o animal era, na verdade, uma alienígena capaz de assimilar-se em qualquer forma de vida terrena. Ela contaminava o hospedeiro e o "imitava", para depois continuar hospedando-se e reproduzindo-se em outros animais ou pessoas sem que pudesse ser percebido. Este foi o desafio da equipe científica ianque durante maior parte do filme: aniquilar desesperadamente o intruso e descobrir se ele estava "alojado" em alguém da equipe, dada sua capacidade de disfarce. Ninguém confiava em mais ninguém.

Apesar de microscópico, o alienígena era muito inteligente. Sabia que seu plano de dominação terrena só poderia ser bem-sucedido através da estratégia de imitar e confundir. Caso agisse de outra forma, poderia ser combatido através das avançadas armas humanas e aniquilado. O filme foi lançado no final da Guerra Fria, em um mundo marcado pela dualidade capitalismo/comunismo, mas este blog não surgiu para falar sobre arte e/ou política: nosso objetivo é escrevermos sobre as coisas espirituais.

E é justamente neste âmbito que nos deparamos com uma feroz batalha, onde o nosso maior inimigo se utiliza da estratégia do disfarce. As Escrituras nos alertam claramente sobre isto em 2 Coríntios 11:14, onde diz que o diabo se transforma "em anjo de luz". Engana-se quem pensa que ele vem com tridente e cara de mau. Satanás é sedutor e mentiroso, capaz de enganar até mesmo nações (Apocalipse 20:8). Por isto, devemos estar sempre protegidos com a Verdade, que é a Palavra do Senhor, em constante leitura e meditação!

Para contaminar a Igreja, o nosso adversário se utiliza da mesma estratégia adotada pela criatura do filme. Ele vai disfarçar-se de cristão, seja no linguajar, na aparência de pessoa piedosa, frequência nas reuniões e participação em ministérios. Irá ainda mais além: buscará espaço no louvor das congregações e no pastoreio. Uma vez bem cômodo e instalado na comunidade, sem que ninguém perceba o disfarce, então iniciará a segunda ação: destruí-la por dentro. Distorcerá as Escrituras. Promoverá falsos ensinos. Seduzirá homens e mulheres, levando-os à fornicação e ao adultério. Buscará infiltrar-se na liderança local, para que seus ensinos infernais sejam promovidos e absorvidos por toda a congregação. Caso não haja nenhuma ação no sentido de expurgar esta força demoníaca, ela operará até destruir a igreja. Uma vez conquistado seu objetivo, partirá em direção a repetir o mesmo processo, em outro local. Seu plano não é local, mas sim mundial.

Se como noiva de Cristo estamos armados com a Verdade, por que este ser infernal tem logrado êxito diversas vezes? Simples: porque muitas lideranças simplesmente desconhecem, ou até mesmo fingem ignorar esta realidade. Estão muito mais preocupados com outros tipos de "ameaças". Há igrejas que procuram chifre em cabeça de cavalo, enquanto que doutrinas destrutivas estão sendo absorvidas dentro das mesmas. Muita gente vê como ameaça a liberação de determinados usos e costumes (brincos, bermuda, calça jeans para as mulheres, cabelo comprido para os homens, tatuagens, etc.), enquanto que espíritos demoníacos estão entrando de terno e gravata e sendo até mesmo bem recebidos. Afinal, este foi - e ainda é - o estereótipo exterior de santidade para um crente, não é mesmo?

Como a Igreja tem sido ingênua em sua maneira de defender-se destas ameaças... Obviamente muitas vezes não é uma tarefa fácil, estando nós sujeitos a errarmos e cairmos nestas mentiras. Mas a Palavra do Senhor nos garante segurança! Só poderemos vencer o espírito de engano se estivermos alicerçados nAquele que é o Verbo e a Verdade! E isto somente é possível com muita comunhão com Ele, alicerçando-nos em sua Palavra, e não em doutrinas e costumes humanos. Estes são corruptíveis e enganosos ainda que pareçam ser sinais de piedade, mas o Senhor é santo e nos dá poder e autoridade para derrotarmos espíritos imundos! 

De qualquer maneira, não precisamos ser como o soldado MacReady, que no filme utiliza lança-chamas para derrotar os homens contaminados pelo alienígena. Nosso inimigo já está derrotado!











sábado, 7 de outubro de 2017

Combatendo injustiças com... injustiça




Na edição desta semana (5 de outubro), a renomada revista Veja publicou um artigo chamado "Essa gente incômoda", no qual o colunista J. R. Guzzo fala da realidade dos evangélicos em nosso país. O texto deu o que falar: imediatamente, pastores renomados, artistas e deputados cristãos se levantaram contra o colunista, acusando-o de preconceito por utilizar palavras como "retrógados", "repressores" e "fascistas" para descrever o público evangélico brasileiro.

Soube da polêmica pela internet, e depois fui ler o texto. O que vi? Ao contrário da revolta daqueles que se disseram ofendidos pelo artigo, Guzzo defende os cristãos. O que ele retrata, na verdade e de maneira irônica, é como a elite intelectual e financeira do Brasil, a intelligentsia, os defensores do marxismo cultural, agem hipocritamente quando, mesmo defendendo a pluralidade e a tolerância, destilam veneno contra os servos do Senhor Jesus. Nas palavras do mesmo: "Nada é tão fácil de perceber quanto um preconceito que se pretende bem disfarçado. Os meios de comunicação, por exemplo, raramente conseguem escrever ou dizer a palavra "evangélico" sem colocar por perto alguma coisa que signifique "ameaça", "medo" ou "perigo"."

Se o jornalista da Veja se posicionou a favor daqueles que estão sendo perseguidos - no caso, nós, evangélicos -, por que ele foi acusado injustamente daquilo que ele não se propôs a dizer? Tudo bem que em dois parágrafos ele critica, acertadamente, os absurdos que são cometidos nas igrejas, mas de maneira geral o que ele narra é como a "religião incômoda" é uma "pedra no sapato" daqueles que se julgam os mais aptos para discussões políticas, artísticas e intelectuais, distanciando-se da realidade daqueles que são maioria no país.

Nós, cristãos, somos perseguidos e retratados de maneira preconceituosa por toda a sociedade: mídia, classes artística e intelectual, das classes mais baixas até a "nobreza", passando pelos setores políticos e econômicos. Somos vistos como fanáticos, atrasados, retrógrados em um mundo em constante movimento e que caminha a passos largos para não sabem exatamente aonde. Dizem que damos dízimo cegamente a pastores inescrupulosos. Preocupamo-nos com a moralidade sexual e os valores familiares em um mundo de sexualidade hedonista e empenhado em desconstruir referências milenares. Acreditamos em Deus em uma sociedade cada vez mais materialista. Somos, enfim, como diz uma música da banda Fruto Sagrado, a "contramão do sistema".

No entanto, as injustiças praticadas contra a gente não nos dá o direito de agirmos da mesma forma. O Senhor nos deu a fé, mas também nos capacitou com faculdades racionais, discernimento. Ler e interpretar corretamente um texto não é privilégio somente de acadêmicos ateístas. De nosso meio já saíram grandes mentes intelectuais, mas insistimos em agir como analfabetos manipulados e emocionados. Ser perseguido é uma coisa; posar de vítima é outra. 

A iniquidade e inimizade contra Deus, fatores tão característicos deste século, faz com que setores da sociedade se voltem contra nós. No entanto, há pessoas que, mesmo que não proclamem a nossa fé, são capazes de reconhecer que existe uma perseguição velada contra pessoas que, no mínimo, defendem valores morais relevantes em uma sociedade autodestrutiva. Ora, nesta mesma semana, o colunista Rodrigo Constantino, conhecido por seu posicionamento liberal-conservador e ferrenho crítico do marxismo cultural, escreveu um texto para o jornal Gazeta do Povo, cujo conteúdo se assemelha ao do escrito por J. R. Guzzo. A diferença foi a linguagem: Constantino, que é ateu, é mais direto e ácido. Mas ambos concordam inegavelmente com o fato de que os evangélicos são, hoje, o grande "foco de resistência" contra os setores progressistas da sociedade, que pregam democracia e liberdade mas sonham em um projeto totalitarista para o Brasil.

Somos diferentes. Somos sal da terra e luz do mundo. Grandes heróis da fé foram perseguidos e mortos para que o nome do Senhor Jesus fosse proclamado. Mas a diferença é que o foco de sua pregação estava na salvação em Cristo Jesus, e não no vitimismo, que é uma atitude comum oriunda daqueles que nos perseguem. Devemo ser cristãos sim, em todo o tempo. Burros e injustos, jamais.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Diário de um peregrino



Ainda há muito a caminhar... A estrada é muito longa, o cansaço, a sede e até mesmo a dúvida e a incredulidade vêm... Mas a única certeza é de que esta estrada tem fim, chegará em algum lugar... E este lugar é diferente de tudo aquilo que eu vivi, inalcançável para minhas concepções limitadas e terrenas. Somente alguém maior do que eu pode segurar em minhas mãos e ajudar-me a completar a jornada.
Como peregrino sigo, e a trilha não é nada fácil. Devo olhar para a frente, e jamais pensar em desistir. Muitos têm optado por atalhos, e outros deixaram-se enganar pelas serpentes do deserto, indo por caminhos fáceis que os levarão ao abismo. Alguns de meus irmãos não suportaram e morreram no caminho. Mas eu persevero, não pelas minhas próprias forças: Ele é quem reidrata meu corpo e refrigera a minha alma!
A cada dia eu acordo e sei que devo matar um leão. Encontrarei pedras, muralhas, armadilhas, espinhos, feras, animais peçonhentos. Oásis falsos aparecerão. Mas falo com o meu Pai para proteger-me e dar-me forças. O pão diário chega, e me alimenta naquele dia. À noite, descanso com a certeza de que lutei e venci naquelas 24 horas, e que no dia seguinte a labuta repetir-se-á. Tropeço diversas vezes, mas os cuidados médicos também chegam. Mesmo com as minhas teimosias e inconstâncias, a Tua graça e misericórdia me acompanham.
Um dia chegarei lá. Alcançarei. Completarei a minha jornada. A convicção de crer nAquele que é maior do que eu vence os meus piores medos. E a minha fé é maior do que minhas próprias forças. Todas as amarguras, tristezas, perdas e traições não serão nada diante de desfrutar eternamente da alegria de vencer a caminhada. Tua força sobrenatural me anima a cada dia e dá ânimo a cada dia. Tudo valerá a pena.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Por uma apologética fora dos templos






Na minha humilde opinião, um dos grandes equívocos de muitos dos meus irmãos em Cristo é sustentar a crença de que a fé é algo reservado somente a uma esfera "mística", "sobrenatural", e que a vida do cristão deve resumir-se apenas a orar, ler as Escrituras, jejuar e participar de inúmeras atividades eclesiásticas.
É um tremendo erro. O cristão se enche de Deus através de uma vida devocional disciplinada e tem a obrigação de viver uma vida comunitária com seus irmãos, estando vigilante contra as astúcias dos "desigrejados". No entanto, a fé que professamos deve motivar-nos para que sejamos sal e luz no contexto desta sociedade corrompida - ainda que isto nos traga perseguição.
Nossa obediência ao Senhor não deve ser refletida somente nas paredes do templo ou do quarto enquanto oramos ou lemos a Bíblia. Outrossim, ela tem que ser manifestada em todas as áreas da vida humana. Charles Spurgeon, notória figura do pensamento calvinista, disse que para "um homem que vive para Deus nada é secular, tudo é sagrado."
Por que digo isto? Porque o Senhor nos deu uma terra para cultivarmos (Gênesis 2:15), mas esta terra não se resume somente a atividades agrícolas, se for aplicada uma leitura mais literal da passagem. Resume-se também às nossas posturas em relação à família, trabalho, artes, política, etc.
Por que são poucos os cristãos que se arriscam a defender bravamente a família conforme os santos preceitos do Senhor? Por que fugimos da vida acadêmica e, quando ingressamos, ou somos tragados pela sedução das inúmeras letras ou acovardamo-nos neste ambiente, permitindo que a hegemonia dos pensamentos ateísta e marxista se consolide a cada dia mais? Por que consideramos o esporte como coisa do diabo e de desocupado, deixando de pregar o Evangelho e fazer discípulos neste meio? Por que achamos que o papel político é dos outros, enquanto que, além de mergulharmos na mais profunda ignorância nesta área, assistimos passivamente a homens de índole questionável dominarem este cenário?
Achamos que ser sal e luz é criar uma cultura "gospel" de qualidade muito questionável, fechar-nos em nossos guetos e criarmos jargões que somente nós mesmos entendemos - e olhe lá! Enquanto isto, a impiedade e corrupção vão gradativamente contaminando todas estas áreas da vida humana, enquanto que as Escrituras dizem que "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." (1 Coríntios 10:31)
Não consigo entender o significado da fé para estas pessoas. Não consigo entender como a Igreja gasta a sola de seu tênis caminhando dentro do próprio templo. Enquanto isto, há pessoas indo para o inferno, mas nos recusamos a cumprir o "ide" e o substituímos pelo "vinde". No fundo, somos covardes que creem que estes espaços foram criados por satanás, e que não devemos ocupá-los. Se eles estão ocupados, é porque os filhos das trevas chegaram primeiro.
Nossa firmeza em combater a iniquidade e defender uma vida cristã não deve restringir-se somente à teoria ou debates reformados. Defendo uma apologética que saia das paredes dos templos, que vá às ruas e aonde o povo está. É um direito nosso saquear os territórios, fazer barulho, anunciar as Boas Novas. Vou mais além: esta é a nossa missão.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A crise é o prelúdio do avivamento



Os grandes avivamentos da história aconteceram em tempos de crise. Não nasceram do útero da bonança, mas foram gestados com dores e lágrimas em tempos de sequidão. A crise nunca foi impedimento para a ação soberana de Deus. É quando os recursos dos homens se esgotam que Deus mais visivelmente manifesta o seu poder. É quando todas as portas da terra se fecham é que Deus abre as janelas do céu. É quando o homem decreta sua falência, que o braço do onipotente mais se manifesta.
​O Brasil está vivendo, possivelmente, a sua mais aguda e agônica crise desde o seu descobrimento. A nação está rubra de vergonha, diante da desfaçatez de políticos e empresários que domesticaram os poderes constituídos, para assaltarem a nação e sonegarem ao povo o direito de viver dignamente. O profeta Miquéias, já no seu tempo, identificou esse conluio do crime, quando escreveu: “As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande fala dos maus desejos de sua alma, e, assim, todos eles juntamente urdem a trama” (Mq 7.3). A corrupção chegou ao palácio, ao parlamento, às cortes e em setores importantes do empresariado. Um terremoto devastador atingiu as instituições, abalou a economia e enfraqueceu a indústria e o comércio. A carranca da crise é vista na desesperança dos mais de quatorze milhões de desempregados em nosso país. A morte se apressa para aqueles que não têm direito a uma assistência digna nos hospitais, sempre lotados e desprovidos de recursos. Os acidentes trágicos se multiplicam porque nossas estradas estão sucateadas. A educação se enfraquece porque as escolas públicas, em muitos lugares, estão entregues ao descaso. Líderes com muito poder e apequenado caráter, favorecem os poderosos e tiram o pão da boca dos famintos, fazendo amargar a vida de um povo já combalido pela pobreza e desesperança.
​Nesse cenário cinzento, muitas igrejas, por terem se afastado da sã doutrina e por terem tergiversado com a ética, perderam a capacidade de exercer voz profética. Não confrontam os pecados da nação, como consciência do Estado, porque primeiro precisam embocar a trombeta para dentro de seus próprios muros. Há um silêncio gelado, um conformismo covarde, um torpor anestésico. Há igrejas cheias de pessoas vazias de Deus. Há igrejas onde os púlpitos já baniram a pregação fiel da palavra de Deus. Há igrejas onde o antropocentrismo idolátrico substituiu a centralidade de Cristo. Há igrejas mornas, apáticas, amando o mundo, sendo amigas do mundo e conformando-se com o mundo. Há igrejas que parecem um vale de ossos secos. Perdeu-se a vitalidade. Perdeu-se o vigor. Falta um sopro de vida!
​É nesse momento de prognósticos sombrios, que devemos nos humilhar sob a poderosa mão de Deus. É imperativo converter-nos dos nossos maus caminhos e orarmos, buscando a face do Senhor, a fim de que ele perdoe nossos pecados, restaure a nossa sorte e sare a nossa terra. O avivamento começa com a igreja e partir dela reverbera para o mundo. O avivamento é uma obra soberana do Espírito Santo que vem, como torrentes do céu, sobre a terra seca. A água é derramada sobre o sedento e as torrentes sobre a terra seca. O Espírito Santo é derramado sobre um povo que anseia por Deus mais do que pelas bênçãos de Deus. É quando decretamos nossa falência, nos convertemos dos nossos maus caminhos e nos prostramos diante de Deus, para desejarmos ardentemente sua presença manifesta, é que ele traz sobre nós o seu renovo. Então, a igreja florescerá como salgueiros junto às correntes das águas. Então, os crentes se levantarão para dizer: “Eu sou do Senhor”. Então, não haverá mais abismo entre o que se prega e o que se vive, porque os crentes escreverão na própria mão: “Eu sou do Senhor”. Oh, que Deus levante sua igreja e restaure a nossa nação! Oh, que nesse tempo de crise e sequidão caia sobre nós as torrentes abundantes do Espírito Santo!
Rev. Hernandes Dias Lopes
Fonte: http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/a-crise-e-o-preludio-do-avivamento/